JAZIGO DA MISERICÓRDIA

A missão das Santas Casas alicerça-se nas catorze obras de Misericórdia, a partir das quais se esboçam as diversas formas de intervenção social junto de quem se encontra em dificuldade material e/ou moral. Sem esperar recompensa, é sua missão fazer o bem: identificar as principais necessidades e socorrer os mais necessitados.

 

“Enterrar os mortos” é a sétima obra de misericórdia corporal. Desde os primórdios, a inumação dos finados constituiu um dos principais compromissos das Santas Casas da Misericórdia. Há cinco séculos que as Irmandades acompanham em procissão os irmãos defuntos, com opas e círios acesos, rezando pela alma do falecido. A primeira Misericórdia (Lisboa) tinha já por obrigação dar sepultura aos pobres que não tivessem quem deles cuidasse ou aos que tinham padecido pelos seus crimes.

Na mais pura tradição das Misericórdias Portuguesas, preocupamo-nos em facultar uma sepultura e exéquias condignas aos compatriotas que falecem em situação de abandono, de modo que não sejam enterrados, anonimamente, numa vala comum.

 

Desde logo, foram encetados contactos com câmaras municipais da região parisiense, a fim de se obter uma parcela de terreno num cemitério. Em 1994, a municipalidade de Enghien-les-Bains pôs à disposição da Misericórdia de Paris um jazigo com capacidade para doze lugares.

Em outubro e dezembro de 1997, realizaram-se os dois primeiros funerais. Entretanto, os restantes lugares foram sendo progressivamente preenchidos, tendo sido outorgados mais quatro num segundo jazigo, no outro cemitério daquela cidade. Uma vez por ano, uma delegação da Misericórdia desloca-se à periferia norte da região parisiense para depositar uma rosa em memória de cada um dos doze compatriotas (uma mulher e onze homens) inumados longe dos seus.

 

É uma atividade dispendiosa, mas que faz parte da essência da nossa missão. Não podemos abandonar os nossos defuntos. É uma obrigação não somente religiosa, mas também moral.